Amanhecia o dia lá fora, e dentro do mundo deles ainda era noite. Ou ainda queriam que fosse noite. Ela viu a fresta de luz que surgia perto da cortina. Ele tampou o raio de luz que fazia perceber quanta poeira havia no ar. Ela beijou seu queixo como fazia ao desejar bom dia. Ele passou os dedos em seus lábios como fazia ao desejar bom dia.
Ela suspirou, olhou para ele e sem exitar, disse:
- Hoje eu não quero saber de nada.
Assustado, com aquela cara que ela mais gostava, ele perguntou:
- Nada?
- Depende qual é o seu conceito de nada. – disse ela, com aquela cara que ele mais gostava.
E então, como sempre acontecia quando trocavam aquelas caras, os dois se entenderam. E sorriram, e se abraçaram, e se beijaram, e rolaram. Assim, sorrindo, abraçados, beijando. Rolaram cama, chão e tapete.
Até que se olharam, com aquelas caras de que mais gostavam, e juntos sussurraram, um ao pé do ouvido do outro:
- Agora eu quero tudo.
E se entenderam.
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